Letras Banais, mas sentimentos reais, verdadeiros, pensamentos puros, de uma beleza por vezes não reconhecida!

Isac

Posted on | By E. Andrade | In

Pássaros de fogo sobrevoavam sob o teto do quarto, maremotos tremiam a cama por debaixo, porem agora tudo estava se acalmando, a sua viajem acabando, ele não queria sair disso, era bom estar longe, onde só ele sabia onde estava, e como chegar.
Em uma surda batida, de sua mãe no teto com a vassoura, sentiu a tradicional dor de cabeça do efeito pós-drogado chegar, se viu babando na cama da irmã – por que lá? não sabia.

- Filho, filho – sua mãe – vem aqui moleque to te chamando há horas!
Com seu jeito amarrotado pegou a mochila da mão da mãe e seguiu seu caminho, que para ele ate então seria como de todos os outros dias.

Como rotina, passou na casa da vizinha para buscar Clarissa, e seguirem juntos para o que chamavam de “degradação grupal”, seu colégio. Eram amigos desde sempre, uma amizade cheia de historia, romances, desventuras e traições. Só a viu uma vez antes como uma mulher de verdade, uma única vez se sentira atraído por aquela garota que encontrava-se sempre ao seu lado:

Estavam altos, devido a maconha que ele plantara, quando olhou em seus olhos viu como era linda, com seu corpo esbelto, seu cabelo azul – “se tem que ser diferente!” dizia sempre ela –, pele clara, olhos verdes amáveis, viu como ela estava tão atraída por ele quanto ele por ela, e não era pouco – foi quando perderam a virgindade. Porem, a noite quando acordaram na cama da mãe de Clarissa, em suas próprias cabeças, sem pronunciarem uma palavra, concordaram em manter aquilo em sigilo para eles próprios e fingir que nada aconteceu.


Mas por que esse sentimento agora de novo? Tinha suas namoradas, e sabia que, mesmo que ele quisesse alguma coisa não conseguiria, ela conhecia seus feitos como homem, sabia que ele era irracional. Ao vê-la descer a escada da varanda contemplou sua beleza deslumbrante, quando notou seu olhar para ele, as bochechas de ambos rosaram, notando a adoração de um pelo o outro naquele momento. Em silencio se guiaram apenas por gestos e olhares. Ir ao colégio não importa mais, não naquele instante, o que sentiam um pelo outro, não sabiam, mas podia ser amor ou apenas atração. Não queriam saber só queriam curtir como dois jovens, que eram.
Sentaram numa pedra na praia onde costumavam se encontrar quanto mais jovens, um lugar escondido de tudo e de todos.

- É apenas isso que quer de mim? – perguntou ela com duvida da verdade em seu olhar, esperando para procurá-la em seu amigo.

- Talvez, sabe que não sei, que não tenho certeza – era verdade, ela sabia, via e sentia que sim – isso é novo, é inesperado, eu sei o que você esta pensando e você a mesma coisa, tanto que estamos aqui. Como aquele dia em sua casa, não precisamos fala pra saber o que o outro está sentindo. Eu não esperava sair de casa e te ver tão linda e como um imã ao contrario que me atraiu bruscamente.

- Se rolar alguma coisa aqui, - uma lagrima desceu de seu olho esquerdo – pode ter certeza que não quero que me decepcione, me conhece sabe que eu morreria por isso. Gosto muito de você, muito mesmo, como tudo: um irmão, amigo, amante. Te amo de tal forma que não me importa como eu te tenha, sabe disso, então... – foi surpreendida por um beijo, se rendendo por completo àquele sentimento que os rodeava, e ali ficaram até o sol se por.

Estavam com os sentimentos desorientados, o sol desaparecendo, viram que a noite seria sem lua, quando se levantaram para voltar para casa.

No meio do caminho, os dois abraçados, foram surpreendidos por uma garota – uma ex-namorada ciumenta e obcecada -, Clarissa foi jogada longe, caiu um metro e meio de distancia a frente. Por um ímpeto violento ele se virou e sem ao menos hesitar, sem querer saber quem era, fechou o punho, dando-lhe um murro entre os olhos, com força suficiente para que qualquer um caísse no chão violentamente.

Virou para Clarissa e estendeu a mão para levantá-la. Ignoraram os gritos da garota no chão, e continuaram a caminhar na mesma direção. Clarissa havia ferido o braço ao cair, um corte causado por uma pedra, nada trágico nem violento, porem ela sentia o arder.

Chegando à casa de Clarissa, ele foi ate o banheiro e buscou um kit de primeiros socorros, e correu ate a sala. Ao chegar a porta, congelou em choque.

Uma mulher de uns 30 ou 40 anos, estava parada na porta de saída, cheia de bagagem nas mãos, Clarissa no sofá se derramava em lagrimas.

Nunca conhecera a mãe de sua amiga, mesmo sento seu vizinho por tanto tempo. A bela mulher o viu, abaixou a cabeça e atravessou o portal em direção ao taxi que a esperava em frente a casa.

Sem reação deixou o kit cair no chão. Assim que ele encostou no carpete, Clarissa levantou-se e correu para seus braços, em um abraço apertado, sofrido, ela encharcou seu peito com suas lagrimas, sua camisa grudara em seu corpo quando a pegou no colo. Ela tremia como se estivesse tendo um ataque - talvez estivesse mesmo. Comoveu-se e deixou as lagrimas caírem junto as dela ao deitá-la na cama. Deitou a seu lado e abraçou a triste menina ali encolhida. Beijando a sua face Clarissa virou-se para ele e lhe deu mais um abraço apertado. Nesse pode sentir o alivio que ela sentia por ele estar ali.

Beijando-o, Clarissa se deitou em seu peito, se escorregando ate estar totalmente em cima dele. Pode sentir a cama esquentando, seus beijos ficando cada vez mais ardentes, o mundo parando de girar e a vida de se queixar. A partir dali a noite foi longa.

Não dormiram, nem conversaram, apenas permaneceram ali, deitados, envolvidos pelo o que havia entre eles. Por vezes pode sentir o choro de Clarissa (passou a noite lhe dando afeto, alisando sua pelo, sentindo o veludo de seus cabelos). Quando sentiu que o choro de Clarissa recomeçaria, se levantou, dando-a um beijo, foi à cozinha e preparou um café da manha mais que especial, com direito a sucos, frutas, torradas, biscoitos, omelete, pão, flores e um cartão - ficou um tanto impressionado por conseguir tanta coisa sem sequer sair da cozinha.

Foi ao quarto, onde passaram a noite, com a bandeja. Entrou com calma, tranqüilamente foi ate a cama e apoiou o café-da-manha - Clarissa não estava deitada. Por um momento sentiu medo de perde-la. Então a viu encostada na varanda, observando as pessoas que passavam - uniformizados, engravatados, garis, esportistas... todo tipo de gente. Em silencio se guiou até ela e envolveu-la em um abraço e carinhosamente sussurrou em seu ouvido:

- O café esta servido, minha senhora - ficou feliz ao ver um sorriso em seu rosto.

- Não pressisava, sabe que não! - ele a puxou até a cama, lhe beijou a boca, um beijo gostoso, apaixonado, verdadeiro, que a fez relaxar, e por um minuto Clarissa não estava ali, via luzes, estrelas.

Começaram a comer, devagar, como se não estivessem com fome. Quando acabaram não tinham comido tudo o que havia sido servido, porem estavam satisfeitos. Haviam esquecido o acontecimento da noite anterior. Estavam brincando com a comida, rindo um do outro, depois de sujarem a cama e passar comida um no rosto do outro.

Clarissa se levantou apanhou uma toalha no armario e entrou no banheiro, sem pronunciar uma palavra, porem estava rindo muito daquela situação. Ele não resistiu, nem ao menos tentou resistir, o impulso foi mais forte que ele, quase irracional. Entrou no banheiro, logo após ouvir o barulho da água caindo, ao entrar pela porta foi surpreendido com um grito. Ao levar o susto deu um pulo para dentro da banheira indo parar sentado debaixo do chuveiro. Desesperada de preocupação, Clarissa correu até onde ele estava caído e se abaixou, ambos estavam se molhando, a água estava molhando todo o banheiro - isso deixou de ser importante, após o primeiro beijo naquele lugar. Ali começaram suas caricias, um ao outro. As caricias foram evoluindo com velocidade, até ambos estarem completamente nus. Ali, naquela banheira alagada, "amaram-se" mais uma vez. Mesmo depois do ato, continuaram ali sentados no chão abraçados, ainda estavam se amando, naquele momento sentiram a eternidade do amor que os envolviam, algo que jamais acabaria, o tempo parou.

Porem nada é eterno, nada dura para sempre, sabiam disso.

Comments (6)

tem algo que é eterno e imutável... as lembranças... elas permanecem além da dor ou do amor...
malditas ou queridas lembranças...
gostei do teu espaço moço! e das palavras tb, vou te seguir
xeru
http://culturaeinutilidades.blogspot.com/

nss texto grande!!!

Parabéns pelo blog kra.
To seguindo.

Depois dá uma olhada lá no meu,
http://www.marcelo-rezende.blogspot.com/
se gostar siga tb.
Um grande abraço.

gostei de teus textos, vou segui-lo.

nossa texto grande. mas o blog é 8,5!

Vc é bom com contos.. EScreve bem e nos envolve na estória..

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