Posted on | By E. Andrade | In E. Andrade
Sem delongas, uma carta escrita mostrou-lhe tudo o que não sabia. Porem não sabia porque lera tal correspondência, não saiba da onde ou quem lhe enviara tais palavras, não sabia quem lhe dera tanto conhecimento sobre sua própria vida, passado e futuro.
Seu passado apagado por magoas não cicatrizadas, o feriu mais uma vez, o que lhe foi aceito de muito bom grado, pois recordara de momentos sórdidos e de momentos bons. Reconheceu seu futuro por palavras escritas em vermelho, nada completo, nada conclusivo, sem família, sem emprego, amigos ou parentes.
Seu presente, no entanto, não reconheceu, não encontrou. Estava ali, sabia, sentia, mas não achara. Horas a fio, procurando, pesquisando, ate que... nada. Resolveu averiguar, foi nos correios e nada, nem selada era a carta. O porteiro não sabia quem deixara a carta, não sabia nem que haviam deixado uma carta. Ficou preso naquilo por dias, não sabia o que fazer, não sabia o que pensar, mas não conseguia largar as palavras nela escritas. Pensou, pensou, pensou mais um pouco, então... nada ainda.
Lembrou mais uma vez do passado e viu que, em muitos anos fora feliz, triste, amado e odiado, mas sempre alegre, mesmo quando magoado estava alegre, e isso lhe trouxe tranquilidade para pensar em seu futuro. Casado, com filhos, um bom emprego e amigos leais como os poucos que tinha em seu passado. Planejou reencontrar velhas amizades, ligar para aquela garota com quem saíra por vezes.
Esquecera da carta, teve o ímpeto inconsciente de coloca-la no bolso traseiro da calça jeans, pegou o telefone e sua antiga agenda. Encontrara todos os importantes, até a menina da qual fora apaixonado. Não pensou mais na carta, nem por um minuto, nem se quer descobriu que escrevera-a para si mesmo a anos atras. Agora, depois de anos, passou a viver seu presente. Agora não leria mais uma carta como aquela, não lhe importava, passado ou futuro. Passou a viver sem expectativas, sem passado e sem futuro.
Como esse Rapaz escreve lindo, meu deusooo
vc esta de parabéns!
Beijo, Cem beijos
Marii